3. Três, três, três. Aquele era o segundo mês que eu via vir o dia três. Então eram três meses que eu esperava. Catarina, ah, Catarina. Onde estava você? Porque eu a havia deixado ir? Porque deixei meu orgulho falar mais alto e não perguntei aonde diabos você ia? Nunca havia me falado nada de sua vida, nos encontráramos naquela boate, e lá você me disse que não tinha pra onde ir, e acabou aqui
Levantei da cama, e fui ao banheiro. Olhei para a calcinha que ela deixara pendente na torneira do chuveiro, e que eu depois pendurei no braço da porta corrediça do box, à altura do meu nariz. Sentei-me para fazer obra, e mais uma vez cheirei a coisa.
Tomei um banho demorado, e depois me vesti para ir trabalhar. Pensei em mais nada, trabalhar é bom para isso, eu me desligo.
Mas de vez em quando, no trabalho, eu penso em Catarina, e faço alguma bobagem. Nada que me traga alguma conseqüência, somente me acham estúpido, exemplo: trocar o nome de uma banda por outra, o bom de trabalhar como vendedor em loja de música é isso, você pode ser ignorante, afinal, inevitavelmente, o cliente sempre vai conhecer mais música que você, e o imbecil sempre tem razão, porque é cliente, mesmo que não tenha. Eu não costumava ficar de mau humor com esses fatos, mas o imbecil que eu atendia insistia em me fazer lembrar que Ella Fitzgerald cantava jazz, e não folk. Eu o havia levado para a seção errada. Oh. Como se eu ouvisse jazz. Ou folk. Prefiro LER o Scott Fitzgerald.
Assim que ele foi embora, sem levar nada – como todos os clientes deste tipo, os que classifico como imbecis fazem, entram, olham as prateleiras, pegam um CD, erguem aos olhos, como para fazer com que todos vejam que sublime objeto teve a glória de ser tocado por suas mãos, e depois, invariavelmente, fazem careta para dizer com isso que mesmo aquele sublime objeto merece o seu desdém e o imbecil ou o seu gosto musical é muito melhor que aquilo – continuando, assim que ele foi embora, sinto a mão me tocar o ombro, e me viro, no meu melhor espírito de vendedor:
- O quê?
E me arrependo como um... não sei. Pense em algo que seja todo arrependimento. Era eu. Bem, ela era linda. Esqueci o imbecil de pronto. Porque o que estava em minha frente era muito mais interessante que aquilo que havia saído há pouco. Morena, com cabelos castanhos longos até a bunda, e lisos, um rosto fino e jovem, nariz um pouco grande, o que dá a impressão de ser alguém respeitável. Seguro os globos oculares, não podia olhar o corpo dela direito ainda, mas à primeira análise, palmas, parabéns a ela.
Olhou-me um tanto impressionada pelo meu “quê?”, coisa que me apresso em mudar:
- Perdão, desculpe, não quis ser grosseiro com você, achei que fosse um colega da loja.
Logo o seu rosto ficou com a impassibilidade comum dos imbecis que costumo atender. Tenho a manha de classificar imediatamente o tipo de cliente. Se imbecil, ou se vira-latas. Esta me parecia uma imbecil. Perguntando como se eu fosse somente um computador que responde à sua voz, inquiriu sobre tal banda, e tal cantor, e eu, solícito, apontei nas prateleiras onde estava cada pedido seu. Aproveitei, e em uma de nossas passeadas pela loja pude ter liberdade para analizar seu corpo mais detalhadamente. Costas largas, como eu gosto; usava blusa de nylon preta, que tinha as mangas curtas e deixava aparecer as escápulas, e haviam músculos ali, que obedeciam servilmente a cada movimento de seus braços. Usava jeans surrados, com um cinto que só servia de enfeite, de tão folgado. Cintura fina, e uma bunda grande, maravilhosamente redonda, enfeitada pelos seus cabelos que dançavam soltos de lá pra cá. Decidiu levar dois CDs, uma coletânea de rock progressivo dos anos 70 e outro de blues, de uma coleção barata, mas que mostrava ótima mira de imbecil afortunado: Miles Davis. Pagou com cartão de crédito universitário, e ali pesquei seu nome, Vânia das Chagas Melo. Como não podia deixar de ser, e agindo da forma mais profissional possível, disse a ela que era norma da loja anotar o número do telefone de clientes que utilizavam cartão de crédito, para cadastro interno – profissional quando às minhas investidas, e cadastro interno da agenda de meu celular.
Para minha surpresa, quando pegou de volta o cartão, junto com o cupom fiscal, seus dedos roçaram de leve a palma de minha mão, e ela deu um leve sorriso. Educação? Bem, se fosse, todas as mulheres lindas com ela deveriam ser educadas na mesma escola. Para completar, disse, melodiosa:
- Obrigada. Você é um anjo.
Eu, um anjo? Ela devia estar de brincadeira. Era isso o que eu merecia por ter sido canalha, olhando medindo avaliando considerando mensurando seu corpo? Que coisa. Decidi fazer mais disso a partir de então. Dei o meu melhor sorriso servil e respondi, à meia voz, num forçado charme tímido:
- Eu é que agradeço a você... – e voltei ao tom profissional: - Volte sempre à Solfa (o nome da loja onde trabalho). Estaremos sempre esperando.
- Pode contar que eu volto.
E saiu, deixando um perfume leve e uma visão maravilhosa gravada a brasa em minha mente. Fiquei um pouco olhando pela porta de onde ela se retirara, com certeza com um sorriso babaca no rosto. Senti então a mão que não queria em meu ombro.
- Caralho, que gostosa, heim, Leon? – era Rubão, outro vendedor. O cara sempre tentava se aproximar de mim, puxando assunto, mas nunca me fora interessante levar à frente qualquer conversa com ele. Era como os clientes, achava que sabia tudo de música, e sabia mesmo muito, mas de quê isso me importa? Minha opinião: o cara tem que saber de música o quanto quiser, dentro de sua casa, onde o bom gosto é inevitável e invariavelmente o dele, e que se dane o resto. Porque dentro de uma loja de música, sendo vendedor, não importa o quanto você conhece música boa, o cliente, tanto do tipo vira-latas quanto do imbecil, tem sempre o seu próprio gosto, e não importam as indicações que você faz, ele não confia em você, no seu gosto, na sua família, no seu passado, no seu cheiro, na sua mão, “onde você esteve com essa mão cheia de dedos?” uma senhora me perguntou uma vez, quando eu, bobo, fui me despedir dela com depois de uma boa venda com um cumprimento. Mas tem cliente que entra na loja, que está com cada cheiro que eu não vou te contar. Falando nisso, um pequeno causo. Dois clientes vira-latas e eu. Eu ouvi, deu pra sacar inclusive de qual dos dois partiu o barulho, de alto que foi. O outro colocou a culpa
Eu passo um tempo distorcendo a imagem ferrada a fogo em minha mente de Vânia, fazendo ela se contorcer em poses, e ele me mete a mão no ombro, e a trata de “que gostosa”. Era minha, minha!
- Ô. – respondi.
- Trocou idéia com ela? – a cara de babão, que ódio.
- Claro que sim.
- Onde tu vai almoçar hoje? – ele conseguia mudar de babão pra desvelado sua expressão em questão de milésimos.
- Nem te interessa.
- Abriu um restaurante duas quadras daqui, bora lá? – agora era pedinte.
“Nunca”, pensei.
- Não, vou almoçar com a Vânia.
- Que Vânia?
- A que acabou de sair daqui.
E ele saiu rindo. É fácil botar fora um cara egocêntrico: basta ser melhor que ele – mesmo que seja com uma mentira, mas não quero dizer com isso que não o sou, melhor que ele, estava me referindo à mentira que disse, o almoço com aquela deusa do cabelão. Eu me odeio, às vezes. Almoçar com ela poderia não ser uma mentira. Tinha o telefone. Ela havia me dado mole, era um mole pequenino, mas mole é mole. Só precisava ligar. Perguntar onde ela almoçaria. Devia estar por ali, estava fazendo compras, quem compra dois CDs, está de bobeira pela rua, e a hora do almoço estava próxima. Bastava ligar. Eu me odeio. Planejo tudo, em minha cabeça, tudo funciona maravilhosamente, mas nunca vou ao fim. De que me custava telefonar, no máximo do pior, eu ouviria algo desagradável, e ela desligaria o telefone, não seria agredido por ninguém, ninguém deve passar mal por tentar o que quer que seja, mas eu não consigo, não sou assim, não sei fazer assim. Ainda não entendo como tive coragem de ir dançar (? – que piada, danço mal, vou te contar) perto de Catarina, de falar coisas em seu ouvido, de chamá-la para fora da boate, levá-la para casa. Não sei de onde tirei audácia de perguntar a ela se estava a fim de ir para o universo paralelo (grande Lobão), que em casa eu tinha meios de locomoção para lá, se é que você me entende. Três semanas. Comigo. E como foi que eu a convenci a isso? Ou será que eu fui convencido por ela? Pode ter sido, é o mais provável.
Durante o que restava do expediente da manhã, atendi ainda algumas pessoas que, para minha total felicidade, eram profundos ignorantes no quesito música: vieram já sabendo o que queriam. Com este tipo de cliente é tudo ótimo: fãs de bandas de programas dominicais são o que eu chamo de vira-latas. Os melhores. Porque em toda loja de música, existem as prateleiras que eu considero latas de lixo. Axé, pagode, brega, funk carioca, sertanejo. Ou o que não se encaixa nestes estilos musicais, mas estão nos mesmos programas na TV, junto, lado-a-lado. Lixo. O que mais vende. O ser humano engole lixo, se esbalda, por isso tantos McDonald`s e Bob`s por aí. Uma fonte inesgotável de dinheiro, a escatologia humana. Como vendedor, eu adoro os vira-latas, muitíssimo melhores que os sabichões dos imbecis. O único problema dos vira-latas é quando eles OUVEM ALTO o seu som. Nada é perfeito.
Saí para o almoço. Duas horas inteiras para mim. Segui para o restaurante do Mauro, onde costumava comer. Ia olhando os carros, as pessoas, as suas caras piladas pela vida, a minha também deveria estar, mas eu não tinha muito que reclamar. Estava empregado, conseguia pagar meu apartamento, comia bem – dentro de minhas necessidades, não sou um glutão – e, nos finais de semana, podia me dar ao luxo de tomar umas cervejas, dançar (? - rá), ver gente. O restaurante do Mauro ficava a três quadras da Solfa, a loja de música. Quando venci a segunda quadra, passei em frente aos vidros do tal lugar onde Rubão havia me convidado para ir almoçar, o restaurante novo que havia inaugurado. Olhei pela vitrine e, para minha surpresa, quem eu vejo do lado de dentro do balcão? Vânia das Chagas Melo, com suas costas largas, como eu gosto, a blusa de nylon preta, de mangas curtinhas, mostrando as escápulas musculosas, o jeans surrado, a cintura fina e a bunda grande, maravilhosamente redonda, que não dava para ver, mas eu sabia que estava lá. Bem, eu, como o Lobão, “parei, pensei e filosofei”. Bela mulher para convidar para ir para o Universo Paralelo. Imediatamente entrei no restaurante, me colocando em uma mesa discreta, ao canto mais fundo, meio escondido. Meti então a cara no cardápio, e fiquei lá, agora me achando o maior dos estúpidos, ceder a um instinto assim, e ao mesmo tempo de dizendo que aquilo ali é um restaurante, eu era o imbecil ou vira-latas naquele lugar e, pra compensar, eu seria um ótimo imbecil/vira-latas, trataria muito bem qualquer que me atendesse, etc., mas a sensação de estupidez não me abandonava. Estar ali dentro só porque eu queria ver mais uma vez aquela mulher, haver cedido ao instinto, e não ter a coragem de seguir em frente, me dava vontade de bater com a cabeça no vidro de azeite, e torcer para que a ponta perfurasse meu cérebro. Ia ser um belo fim. Então tive um estalo: e quando o idiota do Rubão aparecesse? Ele ia ficar com certeza me amolando, dizendo coisas para me fazer sentir ainda mais estúpido. Bem, seria pior sair correndo. Claro que eu poderia estar indo tirar o pai da forca, mas em meus pensamentos todos achariam que eu estava saindo dali porque era um covarde que tem medo de mulher linda. Afundei ainda mais no cardápio. E, que droga, nem ao menos havia visto direito Vânia. Na pressa em me esconder – tal e qual um animal rastejador, como o Lobão disse na música – nem tive coragem de sequer pousar os olhos nela.
- Boa tarde, senhor. Já escolheu? Posso anotar seu pedido?
Era ela. Ali, na minha frente, com um sorriso cândido, impessoal, o sorriso que eu devo dar geralmente aos clientes que atendo. Um sorriso que diz “olá, imbecil”.
- Er... Não, ainda não escolhi.
- Eiiii, eu o estou reconhecendo. Você é da Solfa, não é?
- É, eu trabalho lá. Você comprou uns discos. Uma coletânea. Um Miles Davis, que inclusive, está tocando agora, não é?
- E você ficou com meu telefone, com aquela desculpa esfarrapada...
Enrubesci, e fiquei quieto. Já ela, riu:
- Tudo bem, tudo bem. Gostei. Só espero que você realmente me ligue algum dia desses, pra ouvirmos alguma coisa juntos, o que acha?
Aimeutãoqueridosãoexpedito, o que era aquilo?
- Lógico, Vânia. Eu a ligo, amanhã.
- Liga mesmo? – beicinho, ela estava fazendo beicinho!
- Eu ligo. Palavra de escoteiro. – Eu, que nunca fui escoteiro, fiz o sinal deles.
- Ótimo. Posso recomendar algo para você comer, ou prefere ver o que lhe agrada no cardápio, senhor? – disse isso com um sorriso pilantra. Meusantodascausasimpossíveisexpeditinhoquirido.
- Eu vou escolher. Já chamo você.
- Então fique à vontade. – sorrindo, e voltando ao trabalho de coletar as ordens de outras mesas mais decididas.
Não, o sorriso não me chamava de imbecil, no máximo, a única coisa que me chamava disto ali era eu mesmo. O sorriso dela era de desafetação sim, mas havia ali preocupação com a minha escolha no cardápio. E a cantada que ela me deu? Ah, também, pudera: o restaurante acabara de abrir, ela não poderia estar sendo estúpida com seus futuros clientes assíduos na inauguração do lugar! Eu mesmo não estaria agindo assim, estaria? Bem, não era momento para filosofar sobre minhas idiossincrasias, eu não estava nem um pouco interessado
Não dava mais porque naquele momento, entrava no restaurante Catarina. Ao lado dela, um senhor, e ela de braços dados com ele.
Raiva? Não. Ciúmes? Não. Felicidade? Não mesmo. Era só Catarina. Era ela ali, à minha vista, depois de três, três, três!, meses de agonia onanista-saudosista-adolescente, de braços dados com aquele velho. Não pensei que fosse pai, nem amante, ou amigo. Não pensei nele, era um espantalho, e eu não sou corvo, ignoro. Não pensei nele, nem nela. Fiquei com a mente
Virei uma ema no cardápio. Observando meio escondido, imediatamente fiquei curioso sobre quem era aquele velho. Eles sentaram em uma mesa não muito longe da minha, mas para minha satisfação, Catarina ficou de costas para onde eu estava. Sai de trás do cardápio, agora obstinado a pegar algo na relação dos dois, algo que me informasse até onde iria aquilo.
Conversavam, e conversavam. Não dava para deduzir muita coisa dali. Mas eu olhava, birrento. Até sentir a mão em meu ombro.
- O quêêê? – isso é quase um berro, com uma mistura de raiva com susto.
Dessa vez, acertei. Era Rubão babão, para meu total desconcerto.
- Esperto, heim? Tu não me falaste que a gostosa trabalhava aqui. Claro que tu ia almoçar com ela, mas não com ela. Tsc, tsc. Podia ter me convidado. Uma mulher dessas nunca iria te dar mole mesmo. Nem a outra gostosa dessa mesa à frente, essa com o velhote.
- Cala a boca, Rubens.
- Ah, qualé, Leon? Normal, oras. Essas gatas aí são pra Mick Jagger, Bono Vox, algum milionário, ou então é tudo puta. Como tu achas que essa dona Vânia aí abriu esse restaurante? E essa aí da frente, tu acha que ela não quer que o velho morra logo pra ficar com a grana dele?
- Cala a boca¸ Rubens.
- Opa, me calo.
Ele calou, porque Vânia vinha em nossa direção. Sério, eu achei que ele ainda seria capaz de perguntar se não era mesmo uma puta. Acabaria com a música do amanhã.
- E então, já escolheram? – O sorriso era só para mim.
Rubão adiantou-se:
- Fettuccine. Qual o melhor molho de hoje?
- O branco, senhor.
- Pois é isso aí!
- E você? – perguntando a mim.
- Er, o mesmo, por favor.
Ela anotou, elogiou a escolha, e foi-se.
- “Oh, o mesmo por favor”. – Imitando uma bicha.
- Cala a boca, Rubens.
- Ah, Leon, é brincadeira, cara. Vamos mudar de assunto. Tá sabendo já quem está para lançar disco novo?
Eu não queria conversar. Catarina. Ali próxima de mim. Estaria Rubão certo? O que ela fazia com aquele velho? E eles só conversavam, e conversavam. Logo, enquanto Rubens falava acho que sobre o Zack de
- Desculpa, Leon. - me deu um beijo, em cada bochecha, e um selinho em meus lábios. – Mas eu não posso conversar com você agora. Passo em sua casa, amanhã, pra te explicar tudo.
- Amanhã, Catarina? Você tem idéia de que faz três, três, TRÊS meses que sumiu?
- Leon, amanhã. Agora, eu não posso conversar. Compreenda, agora, eu não posso conversar.
E, delicada, mas firmemente, me empurrou para longe dela. Nem olhei para Rubão. Fui em direção à Vânia, para pagar minha conta. Estava gostoso, muito gostoso mesmo, o fettuccine, eu disse a ela, só que não comera tudo porque havia uma urgência, e eu precisava muito de sair naquele momento. Claro que não precisava dar toda aquela explicação, ela mesma deve me ter visto conversando com Catarina e sendo empurrado por ela. Todo mundo viu.
Faltei ao trabalho na parte da tarde, indo direto para casa.
Jogado no sofá, arrancando pedaços de unha dos dedos, vozes me vieram à cabeça:
“Passo em tua casa amanhã, pra te explicar tudo”, disse Catarina.
“Liga mesmo amanhã?”, quis ter certeza Vânia.
Me dei conta de que precisava decidir. Não dava para confiar
Dormi.
Acordei no outro dia, muito cedo, mas sem a mínima vontade de ir trabalhar. Vi no box a calcinha de Catarina, e, depois do banho, olhei para meu celular na estante. Lá constava o telefone de Vânia.
Tinha de decidir, isso era algo que eu devia fazer por mim.
Pensei; pensei, e pensei.
Então, decidi de uma vez. Nem me importei com a hora da manhã: peguei o celular e disquei. Chamou uma, duas, três vezes. Uma voz rouca de sono atendeu.
- Alhô.
- Fala, Rubão. É o Leon. Seguinte: quando sairmos do trabalho hoje, que tal irmos ver algum filme, ou jogar um boliche, heim, meu chapa?
